Febre em criança pede pronto-socorro quando o bebê tem menos de 3 meses, quando a criança fica mole, sonolenta demais ou irritada mesmo depois que a temperatura baixa, ou quando aparecem sinais como dificuldade para respirar, vômitos que não param, manchas na pele e pescoço duro. Fora dessas situações, o mais comum é que dê para observar em casa e conversar com o pediatra. O que manda é o estado geral da criança, e não só o número do termômetro.
A partir de quantos graus é febre em criança?
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) trabalha com duas referências. O documento científico mais recente da entidade sobre febre aguda define febre como temperatura medida na axila igual ou superior a 37,5 °C. Já a página de orientação para famílias fala em criança febril acima de 37,8 °C. Os dois textos concordam no principal: o número sozinho não decide nada, e ter febre não significa que é preciso medicar.
Para medir em casa, a recomendação é o termômetro digital na axila. Os modelos infravermelhos, de testa ou de ouvido, erram com mais facilidade quando usados por quem não tem treino, e para bebês com menos de 1 ano a SBP indica apenas o digital.
Um detalhe que acalma muita gente: a própria SBP explica que febre não é doença. É um sinal de que o corpo está reagindo a alguma agressão, que na grande maioria das vezes é um vírus.

Quais sinais indicam que é hora de ir ao pronto-socorro?
Vá ao pronto-socorro se a febre vier junto com qualquer um dos sinais abaixo. A lista segue as orientações da SBP para famílias.
- Bebê com menos de 3 meses com temperatura acima de 38 °C ou abaixo de 35,5 °C. Nessa idade, toda febre precisa de avaliação médica no mesmo dia.
- Criança que continua irritada, com choro persistente, ou muito “largadinha”, mole e apática mesmo depois que a temperatura volta ao normal.
- Recusa para mamar ou beber líquidos.
- Dificuldade importante para respirar.
- Vômitos que não cessam.
- Dor de cabeça persistente ou dificuldade para dobrar o pescoço.
- Pele vermelha ou manchas pelo corpo.
- Confusão, irritabilidade extrema ou sonolência fora do comum.
- Convulsão.
Se você já tem uma orientação do pediatra para os episódios de febre do seu filho, siga o que foi combinado com ele.
E se der convulsão?
Leve a criança ao serviço de emergência ou ligue para o SAMU no 192. Segundo a SBP, a convulsão febril costuma acontecer entre os 6 meses e os 6 anos, é benigna, não deixa sequelas e não precisa de medicamentos preventivos. Ela não depende de a febre estar muito alta: tem mais a ver com predisposição, e é mais comum quando há casos na família.
Febre alta é sempre mais grave?
Não. De acordo com a SBP, a intensidade da febre não serve para dizer se a infecção é grave, com exceção dos bebês com menos de 3 meses. Uma criança com 39 °C que brinca, aceita líquidos e interage preocupa menos do que outra com 37,8 °C que está prostrada.
Por isso, antes de olhar de novo para o termômetro, olhe para o seu filho. Estas perguntas ajudam:
- Ele reage quando você fala, olha nos seus olhos, pede colo?
- Está bebendo água, mamando ou aceitando algum líquido?
- Quando a febre cede, volta a brincar ou a se interessar pelas coisas?
Se as respostas forem “sim”, o quadro costuma permitir observação em casa. Se você perceber que ele não melhora nem quando a temperatura baixa, procure atendimento.
O que fazer em casa enquanto observa?
Deixe a criança com roupas leves e ofereça líquidos à vontade. A SBP orienta desagasalhar, hidratar com água e medir de novo depois de uns 30 minutos, porque muitas vezes a temperatura cede só com isso.

Sobre o remédio para febre, três pontos da SBP valem para toda família:
- O antitérmico serve para aliviar o desconforto, não para “zerar” o termômetro. A indicação é quando a febre vem com choro intenso, irritação, falta de apetite ou sono ruim. Qual medicamento usar e em que quantidade quem define é o pediatra, de acordo com o peso e a idade.
- Não alterne nem misture antitérmicos. A entidade não recomenda essa prática: ela confunde os cuidadores, aumenta o risco de superdosagem e não traz benefício para a criança.
- Ácido acetilsalicílico não é recomendado para crianças, pelo risco de uma complicação chamada síndrome de Reye.
Banho gelado, compressa fria e álcool na pele ficam de fora. A SBP não recomenda os métodos físicos para baixar a febre: eles aumentam o desconforto e quase não ajudam. Antibiótico também não é remédio para febre. Ele só age contra bactérias e precisa de prescrição.
Se o seu filho estiver resfriado, estas orientações sobre cuidados com a gripe em casa ajudam no dia a dia, e este texto mostra como diferenciar um nariz escorrendo simples de algo a mais.
Quando procurar um médico mesmo sem sinais de urgência
Fale com o pediatra sempre que estiver insegura com a evolução do quadro, mesmo sem nenhum sinal da lista de alerta. A SBP orienta observar como a febre evolui e ficar atenta a outros sintomas que apareçam junto, como tosse, coriza, diarreia, vômitos e pintinhas vermelhas pelo corpo. São essas informações que ajudam o médico a chegar à causa.
Anote os horários e as temperaturas medidas, o que a criança comeu e bebeu, e se ela tomou algum remédio. Isso encurta a consulta e evita confusão na hora de contar o que aconteceu. Quando o médico diz que é uma virose, segundo a SBP, ele está dando um diagnóstico: a agressão é causada por um vírus, e o tratamento é hidratação, antitérmico se necessário e observação.
A página da SBP sobre febre e “febrefobia” traz essas orientações em linguagem simples para pais e cuidadores.
Perguntas frequentes
Dente nascendo dá febre?
Segundo a SBP, não existe associação entre o nascimento dos dentes e febre ou diarreia. O que o dente causa é irritação, mais saliva e mãos na boca. Se houver febre, a causa deve ser procurada em outro lugar.
Preciso acordar a criança para medir a temperatura?
A SBP orienta usar como referência o estado geral da criança, e não o número. Se ela dorme tranquila, vale conferir se está sem excesso de roupa e medir quando acordar. Na dúvida, combine a conduta com o pediatra.
A febre voltou antes do horário do remédio. O que eu faço?
A SBP orienta não intercalar outro antitérmico. Ofereça líquidos, deixe a criança com pouca roupa e aguarde o horário indicado pelo pediatra. Se ela estiver muito abatida ou surgir algum sinal de alerta, procure atendimento.
Posso usar termômetro de testa?
Segundo o documento da SBP, os termômetros infravermelhos estão sujeitos a erros quando manuseados por pessoas sem treino. Para uso em casa, e sempre em bebês com menos de 1 ano, a indicação é o termômetro digital na axila.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

