Equipe voluntária também treina profissionais locais para melhorar o atendimento logo após os acidentes.
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Profissionais brasileiros de saúde realizaram, em setembro, cirurgias em crianças e outros pacientes com sequelas graves de queimaduras em Angola. A atuação ocorre em regiões onde famílias cozinham e se aquecem com fogareiros ou fogo dentro de casas de um único cômodo, o que expõe crianças a acidentes frequentes, segundo voluntários da ONG Kids Salvation ouvidos pelo g1.
Além dos procedimentos em casos complexos, médicos, enfermeiros, anestesistas, dentistas e outros especialistas brasileiros capacitam equipes angolanas para atender casos menos graves e prestar os primeiros cuidados após a queimadura. Segundo os voluntários, a assistência inicial inadequada pode contribuir para sequelas que limitam movimentos e funções como abrir a boca, movimentar o pescoço e levantar os braços.
Crianças pequenas concentram casos
Um estudo publicado em 2025, feito com pacientes de até 5 anos atendidos no Hospital Especializado Neves Bendinha, em Angola, indicou que essa faixa etária respondeu por 64% dos casos de queimaduras analisados. As crianças de 1 ano representaram 26% dos registros, com predominância de lesões térmicas e de segundo grau.
Queimaduras: dados citados na reportagem
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que queimaduras provoquem cerca de 180 mil mortes por ano no mundo. A maior parte ocorre em países de baixa e média renda, onde a mortalidade infantil por esse tipo de lesão é mais de sete vezes maior do que em países de alta renda, de acordo com a entidade.
| Dado | Número |
|---|---|
| Mortes anuais por queimaduras no mundo | 180 mil |
| Casos analisados em menores de 5 anos no estudo angolano | 64% |
| Registros envolvendo crianças de 1 ano | 26% |
| Duração de uma cirurgia relatada pela equipe | 11 horas |
Cirurgias buscam devolver movimentos
Uma menina de 3 anos, que sofreu queimadura de terceiro grau no rosto, passou por enxertos de pele e recebeu mais de 200 pontos em uma cirurgia de 11 horas, segundo o cirurgião plástico voluntário Leandro Gontijo. A criança estava internada havia dois meses quando a equipe chegou ao país.
Em outro atendimento, os médicos trataram um paciente queimado havia nove meses na região atrás do joelho. A retração da cicatriz já o impedia de esticar totalmente a perna; durante a cirurgia, o tecido comprometido foi retirado e uma nova pele foi colocada no local.
As chamadas contraturas surgem durante a cicatrização e podem prender o pescoço, aproximar braços do corpo ou reduzir a abertura da boca. Em sequelas mais antigas, a recuperação completa pode não ser possível: uma paciente operada após dez anos da queimadura não recuperou toda a amplitude dos movimentos do pescoço, pois a articulação da coluna cervical já havia enrijecido.
Atendimento inicial é foco da capacitação
A enfermeira voluntária Pollyana Gontijo afirmou ao g1 que as contraturas graves observadas pela equipe estão associadas à falta de tratamento adequado logo após o acidente. Por isso, o trabalho dos brasileiros inclui a formação de profissionais angolanos para o atendimento inicial e para o tratamento de pacientes com lesões menos graves.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Queimaduras registra pelo menos 1 milhão de casos por ano, segundo a reportagem. A OMS aponta que crianças menores de 5 anos na Região Africana da entidade têm uma incidência de mortes por queimaduras mais de duas vezes superior à taxa mundial dessa faixa etária.
Com informações de g1.

