Notificações envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro; a relação dos medicamentos com os casos ainda não foi confirmada.
A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pessoas que usaram medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. Os registros envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
A investigação foi noticiada neste domingo, 27 de setembro de 2026, no Brasil. A Noia é uma lesão rara do nervo óptico que pode causar perda de visão. As notificações indicam suspeitas, não uma relação de causa e efeito confirmada entre os medicamentos e a doença.
O que mostram as notificações
O painel de farmacovigilância da Anvisa reúne 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica registradas desde 2018. As 13 notificações de Noia sob investigação estão distribuídas entre os produtos desta forma:
Dados do painel de farmacovigilância da Anvisa; notificações não comprovam causalidade.
- 13Suspeitas de NoiaSob investigação
- 24Suspeitas desde 2018De neuropatia isquêmica óptica
- 74Outras alterações visuaisRegistros no painel
| Medicamento | Notificações de Noia |
|---|---|
| Ozempic | 5 |
| Wegovy sem FlexTouch | 3 |
| Wegovy FlexTouch | 2 |
| Rybelsus | 2 |
| Mounjaro | 1 |
O painel também traz 74 registros de outras alterações visuais associadas a agonistas de GLP-1. Entre as queixas, há 37 ocorrências de visão turva e 29 de comprometimento visual. Esses registros também não confirmam que os medicamentos tenham provocado os problemas relatados.
O que se sabe sobre o risco
Desde junho de 2025, a Noia consta nas bulas dos produtos à base de semaglutida como reação adversa muito rara, por exigência da Anvisa. Um estudo divulgado no JAMA Ophthalmology encontrou risco de Noia de 4 a 7 vezes maior entre usuários de semaglutida do que entre pessoas que usavam outros medicamentos. Os autores, porém, advertiram que os dados não bastam para estabelecer uma relação causal.
Oftalmologistas ouvidos pela TMC observam que condições preexistentes, como diabetes, também podem elevar o risco de problemas nos vasos que irrigam o nervo óptico. Isso dificulta determinar a causa de cada caso.
O que dizem as fabricantes
A Novo Nordisk, fabricante da semaglutida, afirma que sua revisão de estudos clínicos não identificou aumento na incidência de Noia e sustenta que a relação entre benefícios e riscos do medicamento continua favorável. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, declarou que acompanha os dados de segurança de seus produtos, inclusive os relacionados à saúde ocular.
Com informações de tmc.com.br, bnews.com.br.

