Especialista explica por que a avaliação dos óvulos e da saúde da mulher orienta a escolha do tratamento.
A fertilização in vitro (FIV) após os 40 anos pode ser uma opção quando as chances de engravidar por outras vias são menores. Em análise publicada em 26 de outubro de 2026, a ginecologista Stephanie Majer explica que a indicação depende da avaliação de cada mulher: o tratamento não impede que a idade afete os óvulos nem elimina os riscos da gestação.
Antes de iniciar a FIV, a especialista recomenda avaliar a reserva ovariana e condições de saúde como hipertensão e diabetes. O procedimento reúne óvulo e espermatozoide em laboratório e transfere o embrião ao útero. Conforme o caso, podem ser usados óvulos próprios ou doados; a transferência de um único embrião ajuda a reduzir a possibilidade de gravidez gemelar.
Quando a FIV é indicada depois dos 40?
A FIV pode ser mais adequada do que insistir em tentativas espontâneas ou em tratamentos com menor chance de resultado, mas essa escolha exige avaliação individual, segundo Majer. A idade da mulher no momento da coleta continua a influenciar as chances quando são usados seus próprios óvulos.
| Possibilidade | O que considerar |
|---|---|
| Óvulos próprios | As chances dependem da idade na coleta. |
| Óvulos doados | Podem ampliar as chances, sem afastar riscos da gestação. |
| Um embrião transferido | Reduz o risco de gravidez gemelar. |
Como funciona a fertilização in vitro?
Na FIV, os ovários são estimulados, os óvulos são coletados e a fecundação ocorre fora do corpo. Depois, um embrião pode ser colocado no útero. Segundo o material de referência sobre a técnica, ela também é usada em casos de alterações no sêmen, obstrução das tubas uterinas e endometriose, entre outras causas de infertilidade.
Quais são os riscos para a mãe e o bebê?
Após os 40 anos, a gravidez exige atenção a condições como hipertensão e diabetes gestacional, independentemente de ter ocorrido por FIV ou espontaneamente, afirma Majer. A frequência de alterações cromossômicas nos óvulos também aumenta com a idade, reduzindo as chances de gravidez e elevando o risco de abortamento.
Estudos observacionais apontam maior frequência de pré-eclâmpsia, parto prematuro e alterações placentárias em gestações por reprodução assistida. A especialista ressalta, porém, que não é possível atribuir todas essas diferenças ao procedimento: idade, doenças preexistentes e fatores ligados à infertilidade também podem influenciar os resultados. Uma gravidez de gêmeos acrescenta riscos para a mulher e os bebês.
Que exames e cuidados entram no planejamento?
A dosagem do hormônio antimülleriano e a contagem de folículos antrais ajudam a prever a resposta dos ovários à estimulação, mas não asseguram uma gravidez nem definem, sozinhas, a qualidade dos óvulos. Antes do tratamento, Majer orienta investigar e controlar hipertensão, diabetes, obesidade e alterações da tireoide, além de revisar medicamentos e o histórico obstétrico.
O planejamento também inclui orientações sobre ácido fólico, alimentação e atividade física. Se houver gravidez, o acompanhamento deve seguir os riscos individuais; em alguns casos, é necessária observação mais próxima da pressão arterial, da glicemia e do crescimento fetal.
Foto de capa: Dr.jayesh amin/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)




