O que começa como uma simples distração pode evoluir para um problema grave e devastador. O vício em jogos tem ganhado destaque nos consultórios psicológicos, especialmente com o crescimento das apostas online. A psicóloga cognitivo-comportamental Karine Brock alerta que o acesso facilitado, a promessa de recompensas rápidas e a falta de controle são ingredientes para um ciclo perigoso. “Um dos primeiros sinais é o pensamento constante de que vai recuperar o dinheiro perdido. Esse ciclo alimenta a compulsão, gera irritabilidade, ansiedade e, em muitos casos, leva ao endividamento”, explica ela.
Mentiras para encobrir a frequência dos jogos, negligência com responsabilidades pessoais e profissionais e tentativas frustradas de parar também estão entre os sintomas mais comuns e, de acordo com a especialista, os jogos online pioraram o cenário. “Eles foram desenvolvidos com engenharia psicológica para estimular recompensas imediatas, com sons, imagens e promessas de ganhos rápidos. É um acesso constante, na palma da mão, sem controle externo, o que favorece o vício”, alerta.
A especialista explica que as consequências vão muito além do financeiro com a queda de desempenho no trabalho, os conflitos familiares, o isolamento social, a depressão, a ansiedade e até ideação suicida são alguns dos impactos psicológicos mais graves.
A boa notícia, segundo a psicóloga, é que o tratamento é possível — e eficaz. O vício em jogos já é reconhecido pelo DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e está na mesma categoria da dependência química. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais indicadas, por trabalhar com o reconhecimento de gatilhos, reestruturação de pensamentos disfuncionais e estratégias de prevenção à recaída.
Karine Brock destaca ainda a importância de limitar o acesso ao jogo e buscar novas fontes de prazer. “Bloquear aplicativos, cartões e contas online, evitar jogar sozinho e, principalmente, buscar apoio profissional são atitudes essenciais. Também é fundamental substituir o hábito por atividades saudáveis, como esportes, leitura ou convívio social”, aconselha.
Além do jogador há um sofrimento profundo também para os familiares. Mentiras, promessas quebradas e perdas financeiras criam um ambiente de insegurança e tensão constante. O principal ponto de alerta, segundo Karine, é quando o jogo deixa de ser lazer e começa a interferir na vida pessoal, profissional e financeira. Nesse momento, é preciso parar, reconhecer o problema e buscar ajuda.
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AMANDA MARIA SILVEIRA
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